sexta-feira, 12 de agosto de 2011

SAIBA COMO INVESTIR SEU DINHEIRO EM MOMENTOS DE CRISE

A economia tem vivido dias de turbulência com a crise nos Estados Unidos e Europa. Por aqui, a Bolsa tem derretido e até o dólar, que andava anêmico, começa a se espevitar. Veja a seguir a opinião de dois professores de finanças que podem ajudar nas suas aplicações:
Alcides Leite (professor de Mercado Financeiro da Trevisan Escola de Negócios)

É um bom momento para investir em renda fixa, já que os juros estão altos e a inflação está começando a cair. Isso significa que a diferença entre a remuneração futura e a inflação futura vai aumentar e a renda real vai crescer. Sugiro ainda mais: escolha os títulos pré-fixados (aqueles que já têm uma remuneração definida).
Os títulos pós-fixados, ou seja, aqueles que serão definidos de acordo com as mudanças nas políticas de juros do governo estão com a tendência de baixa ou estabilidade, pois a inflação tende a cair e o governo aumenta os juros como forma de conter a inflação.

O Tesouro Direto é um ótimo negócio para investir nesse tipo de papel porque tem taxas mais baixas do que os fundos de investimentos comuns.
A poupança é um bom caminho para quem quer começar a investir e também para quem precisa de dinheiro rápido.
O dólar não é bom negócio. Varia muito, mas a tendência no Brasil continua de baixa porque a economia norte-americana está perdendo sua importância em relação a outras economias e o Brasil é um pólo de atração de investimentos. Por isso, a tendência é que continue a receber dólares, o que derruba a cotação da moeda.
Apesar de ter subido nesse ano, o ouro não é um bom investimento para a pessoa física, por ser muito caro e também tende a diminuir de importância quando a crise acabar.
A Bolsa, como sempre, é somente indicada para aplicações de longo prazo. Acredito que nos próximos 5 anos a Bolsa deve subir, mas nos próximos um ou dois anos não vai subir muito porque a situação da economia mundial vai continuar complicada. Acho que não piora, mas acredito que vá ficar oscilando dessa forma aí. Estamos em um período de recuperação da crise de 2008/2009, quando os governos se endividaram muito. Acredito que teremos ainda vários ataques especulativos a países da periferia do euro e isso se refletirá negativamente nas ações.


Fábio Gallo, professor de Finanças da FGV e PUC-SP
O conselho geral é cautela. Mas, independente de o mundo estar em crise ou não, a pessoa precisa ter um objetivo para a sua carteira de investimentos e estes investimentos precisam estar minimamente diversificados. Em época de crise essa visão deve continuar.
Um exemplo: se alguém decidiu investir em Bolsa corretamente, mesmo com as ações perdendo muito valor agora, a pessoa está tranquila para aguentar o tranco até o maremoto passar, porque investiu o que podia, não o que não devia.
O investimento do momento é renda fixa, mas isso já acontece por décadas. A renda fixa no Brasil tem uma rentabilidade melhor e com grau de risco menor do que a Bolsa, mesmo nos momentos de grandes altas.
O melhor investimento é o Tesouro Direto, pois conta com vários papéis com vários tipos de vencimentos. Hoje são vendidos no Tesouro Direto 5 tipos de papéis:
LTN – papéis que pagam juros prefixados de curto prazo.
LFT – papéis que pagam juros indexados à taxa Selic.
NTN-F – papéis que pagam juros prefixados de longo prazo.
Dois tipos de NTB-B – ambos são papéis pós-fixados (ou seja, o investidor não sabe em quanto será remunerado) mais uma indexação à inflação. A diferença está que um papel paga juros semestrais e o outro acumula juros para resgate no vencimento.
Todos são interessantes e ajudam o investidor a diversificar a proteção, pois enquanto um protege contra a inflação, o outro remunera bem se houver um aumento da taxa de juros e assim por diante.

Um erro comum é achar que, porque as ações estão em queda, é hora de comprar. Isso não verdade, pois ainda não conhecemos o fundo do poço. Se as ações caíram hoje, poderão cair ainda mais amanhã. Quem sabe? Por isso é importante que quem invista em ações estabeleça um limite de perda. Outra dica é investir em empresas nas quais você acredita, na qual gostaria de ser um sócio de verdade.
Fundo imobiliário é algo que estou achando interessante atualmente. São investimentos em grandes negócios imobiliários que têm uma rentabilidade boa tanto do ponto de vista de rendimentos periódicos – porque pagam rendimentos oriundos de aluguéis – quanto do ponto de vista da valorização do mercado. Mas há o risco ligado aos imóveis. Observo que o interesse por esses fundos começa a crescer e, como conseqüência, também a liquidez (facilidade de transformar o investimento em dinheiro).
Não acho o ouro recomendável para a carteira de pessoa física, principalmente porque a liquidez é baixíssima e o ativo, caríssimo. Hoje, o grama do ouro R$ 2.639 e o quilo está batendo os R$ 35 mil reais. No ano, o ouro subiu 38% e no semestre, quase 23%. Aparentemente, trata-se de um bom investimento, mas, na minha opinião, está muito caro e não é para qualquer um. Não é vantagem sair correndo atrás de ouro quando você tem outros investimentos bons com um grau bem menor de risco. Fonte: Record


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