No último dia 19 e 20 de outubro
os alunos da disciplina de Ecossocioeconomia e Território do Mestrado e do
Doutorado em
Desenvolvimento Regional da Universidade Regional de Blumenau
(FURB), realizaram uma importante visita
técnica a Microbacia do Rio Sagrado, localizada no município de Morretes (PR). O
objetivo foi vivenciar in loco experiências de desenvolvimento territorial, com
particular enfoque na temática dos Arranjos Socioprodutivos de base
territorial. A atividade, coordenada pelos Professores Sampaio e Cristiane
Mansur, propiciou aos alunos uma importante aproximação entre a teórica e a
prática, extremamente importante para entender e discutir a complexidade das experiências
de desenvolvimento local e regional.
Se os economistas pudessem dar um jeito de serem considerados como pessoas humildes e competentes, num mesmo nível que os dentistas, seria excelente! ( J. M. Keynes, 1930).
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
A NIGÉRIA NO BRICS?
Desde a entrada da África do Sul, oficializada na cúpula do
Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), em 2010, analistas de mercado,
economistas e até o próprio criador da sigla, passaram a criticar a
participação do país. Quando o enfoque é demografia e crescimento econômico, o
candidato preferido teria sido a Nigéria, grande produtor petróleo. No entanto,
apesar da descrença, e tendo a China como guardiã, o país se esforça para
aproveitar o lugar no time de potências mundiais e provar que é digna da
nomeação.
“Ser parte do maior grupo político e econômico pode beneficiar o desenvolvimento interno”, salientou nesta quinta-feira (01/11) o vice-ministro sul-africano de Relações Exteriores Ebrahim Ebrahim. “Nossos parceiros dos Brics entendem e compartilham de nossas aspirações por crescer, assim como desenvolver o resto da África”, afirmou o sul-africano, que anunciou o interesse de seu país de sediar um possível banco do grupo. Os Brics propõem a criação de uma instituição para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento em seus países.
Sob uma perspectiva econômica, quando a África do Sul é comparada com o Brasil, China, Índia, os números estão aquém de uma potência emergente. De acordo com o FMI, o PIB (Produto Interno Bruto) da África do Sul foi revisado para menos de 3.2% para 2.7% este ano, a meta será atingir 3.6% em 2013 e 4.2% em 2014. Enquanto isso, os outros países da África esperam crescer em torno de 7% a médio e curto prazo. Já China e Índia, por outro lado, apostam no crescimento entre 7% e 10%.
Os países do Brics juntos equivalem a 15.17% do volume das exportações globais, o que contribui cada vez mais para a importância político-econômica do bloco. A China sozinha lidera mais de 12% desse volume. Se avaliarmos os índices de desemprego dos países membros, a África do Sul registra 24%.
“Ser parte do maior grupo político e econômico pode beneficiar o desenvolvimento interno”, salientou nesta quinta-feira (01/11) o vice-ministro sul-africano de Relações Exteriores Ebrahim Ebrahim. “Nossos parceiros dos Brics entendem e compartilham de nossas aspirações por crescer, assim como desenvolver o resto da África”, afirmou o sul-africano, que anunciou o interesse de seu país de sediar um possível banco do grupo. Os Brics propõem a criação de uma instituição para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento em seus países.
Sob uma perspectiva econômica, quando a África do Sul é comparada com o Brasil, China, Índia, os números estão aquém de uma potência emergente. De acordo com o FMI, o PIB (Produto Interno Bruto) da África do Sul foi revisado para menos de 3.2% para 2.7% este ano, a meta será atingir 3.6% em 2013 e 4.2% em 2014. Enquanto isso, os outros países da África esperam crescer em torno de 7% a médio e curto prazo. Já China e Índia, por outro lado, apostam no crescimento entre 7% e 10%.
Os países do Brics juntos equivalem a 15.17% do volume das exportações globais, o que contribui cada vez mais para a importância político-econômica do bloco. A China sozinha lidera mais de 12% desse volume. Se avaliarmos os índices de desemprego dos países membros, a África do Sul registra 24%.
Já na análise demográfica, a África do Sul também possui a
menor população na comparação com Brasil, Rússia, Índia e China, com seus quase
50 milhões de habitantes. Mas, apresenta grande taxa de crescimento
populacional, similares ao Brasil e Índia.
Para a doutora em Relações Internacionais e pesquisadora visitante da organização Brics Policy Center, Alessandra Arkhangelskaya, a inclusão da África do Sul no bloco foi muito relevante para o continente e não deve ser analisada isoladamente. “A África e sua agenda estão incluídas nas estruturas principais dos Brics. A África do Sul se posiciona como uma potência regional, assim como uma porta para todo o continente. Mesmo com todos os desafios sócio-econômicos, não há dúvidas sobre sua liderança regional e seu papel deve ser reconhecido internacionalmente.”, revela.
A pesquisadora lembra que a Rússia é o maior país do mundo, possui muitos recursos naturais e também desafios assim como os outros participantes dos Brics. “A Rússia tem uma tendência demográfica diferente, pois todos os países do bloco estão em crescimento demográfico, mas o mesmo não acontece com a Rússia que tem taxas negativas e isso já é um problema”, afirma.
Forte candidato
A Nigéria é o país mais cotado para integrar o Brics e se tornar a maior liderança da África por sua rápida ascensão econômica e populacional. Além disso, está cada vez mais atraindo investidores para seu território. De acordo com o relatório da ONG sul-africana Polity, a taxa de crescimento econômico do país foi de 6.8%, no quarto trimestre de 2010, contra 4.4% da África do Sul no mesmo período. Por outro lado, muitos fatores ainda assombram o país e impedem o seu desenvolvimento, entre eles: instabilidade política, alto índice de desemprego entre jovens, sistema inadequado de educação e corrupção.
Para a doutora em Relações Internacionais e pesquisadora visitante da organização Brics Policy Center, Alessandra Arkhangelskaya, a inclusão da África do Sul no bloco foi muito relevante para o continente e não deve ser analisada isoladamente. “A África e sua agenda estão incluídas nas estruturas principais dos Brics. A África do Sul se posiciona como uma potência regional, assim como uma porta para todo o continente. Mesmo com todos os desafios sócio-econômicos, não há dúvidas sobre sua liderança regional e seu papel deve ser reconhecido internacionalmente.”, revela.
A pesquisadora lembra que a Rússia é o maior país do mundo, possui muitos recursos naturais e também desafios assim como os outros participantes dos Brics. “A Rússia tem uma tendência demográfica diferente, pois todos os países do bloco estão em crescimento demográfico, mas o mesmo não acontece com a Rússia que tem taxas negativas e isso já é um problema”, afirma.
Forte candidato
A Nigéria é o país mais cotado para integrar o Brics e se tornar a maior liderança da África por sua rápida ascensão econômica e populacional. Além disso, está cada vez mais atraindo investidores para seu território. De acordo com o relatório da ONG sul-africana Polity, a taxa de crescimento econômico do país foi de 6.8%, no quarto trimestre de 2010, contra 4.4% da África do Sul no mesmo período. Por outro lado, muitos fatores ainda assombram o país e impedem o seu desenvolvimento, entre eles: instabilidade política, alto índice de desemprego entre jovens, sistema inadequado de educação e corrupção.
A Nigéria seria uma escolha por ser uma das maiores
economias africanas. Porém, em 2010,
a África do Sul também figurava em outros blocos
econômicos juntamente com alguns membros do BRIC e já era porta-voz do
continente em fóruns internacionais. Também é inegável que o sistema
financeiro e de telecomunicações sul-africano estão mais desenvolvido do que em
outras nações, além de possuir melhor infraestrutura”, comenta Lucy Corkin
(À ESQUERDA), doutora em Ciência Política e pesquisadora visitante do
BRICS Policy Center.
Diante do pequeno desenvolvimento econômico sul-africano, os investidores internacionais estão voltando seus olhares para países como Nigéria, Angola e Moçambique, que mostram taxas de crescimento expressivas. “Os investidores reconhecem os problemas internos desses países, mas ficam animados com as perspectivas econômicas dessas nações e projetam maior retorno dos investimentos. Enquanto isso, a África do Sul está perdendo oportunidades”, relata Lucy Corkin.
Grande aliada
O analista de mercado da Saxor, Salim Mahmood, afirma que, apesar de não ser muito comentado, a China foi essencial para a entrada da África do Sul para os Brics. A potência asiática tem grandes investimentos no país, principalmente nos setores bancário, infraestrutura de mineração, transporte e energia renovável.
“O Banco Industrial Comercial da China (ICBC) tem um investimento maciço de R$ 4,7 bilhões, uma participação de 20% no Standard Bank da África do Sul. A China é o maior parceiro comercial da África do Sul, com um superávit em favor da China. Inclusive, a infusão do Yuan chinês manteve a África do Sul à tona durante a recessão econômica. Também é perceptível que a China tem um lugar de importância na política externa da África do Sul”, acrescenta Mahmood.
A pesquisadora Lucy Corkin concorda que a China enxerga o mercado sul-africano como um canal importante também para o continente. “As empresas chinesas possuem uma posição estratégica na África do Sul e os investimentos permitem adentrar nos países do continente. Além disso, a China sempre recebe apoio sul-africano nos fóruns mundiais”, diz.
Para Madmood, a África do Sul funciona como porta de entrada para África, que oferece acesso a um mercado de um bilhão de pessoas em 61 territórios e 54 países, o que equivale a 15% da população mundial. “Os países do Brics estão crescendo rapidamente e, para garantir isso, eles precisam de commodities sul-africanas”, conclui.
Diante do pequeno desenvolvimento econômico sul-africano, os investidores internacionais estão voltando seus olhares para países como Nigéria, Angola e Moçambique, que mostram taxas de crescimento expressivas. “Os investidores reconhecem os problemas internos desses países, mas ficam animados com as perspectivas econômicas dessas nações e projetam maior retorno dos investimentos. Enquanto isso, a África do Sul está perdendo oportunidades”, relata Lucy Corkin.
Grande aliada
O analista de mercado da Saxor, Salim Mahmood, afirma que, apesar de não ser muito comentado, a China foi essencial para a entrada da África do Sul para os Brics. A potência asiática tem grandes investimentos no país, principalmente nos setores bancário, infraestrutura de mineração, transporte e energia renovável.
“O Banco Industrial Comercial da China (ICBC) tem um investimento maciço de R$ 4,7 bilhões, uma participação de 20% no Standard Bank da África do Sul. A China é o maior parceiro comercial da África do Sul, com um superávit em favor da China. Inclusive, a infusão do Yuan chinês manteve a África do Sul à tona durante a recessão econômica. Também é perceptível que a China tem um lugar de importância na política externa da África do Sul”, acrescenta Mahmood.
A pesquisadora Lucy Corkin concorda que a China enxerga o mercado sul-africano como um canal importante também para o continente. “As empresas chinesas possuem uma posição estratégica na África do Sul e os investimentos permitem adentrar nos países do continente. Além disso, a China sempre recebe apoio sul-africano nos fóruns mundiais”, diz.
Para Madmood, a África do Sul funciona como porta de entrada para África, que oferece acesso a um mercado de um bilhão de pessoas em 61 territórios e 54 países, o que equivale a 15% da população mundial. “Os países do Brics estão crescendo rapidamente e, para garantir isso, eles precisam de commodities sul-africanas”, conclui.
Fonte Opera Mundi.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
ALUNOS DO SENAC REALIZAM VISITA TÉCNICA A DUDALINA
No último dia 08 de agosto os
alunos do segundo semestre do curso superior em Processos Gerenciais
da Faculdade SENAC de Blumenau efetuaram uma visita técnica a empresa Dudalina.
A visita foi estruturada nas disciplinas de Fundamentos de Marketing e Economia
e Mercado lecionadas pelos Professores Leonardo Furtado e Valdinho Pellin,
respectivamente. Durante a visita técnica os alunos conheceram a história da
empresa e sua evolução, as ações de responsabilidade social desenvolvidas pela organização,
as estratégias de marketing utilizadas e os principais aspectos relacionados à
logística e a exportação.
A Dudalina iniciou suas
atividades em 03 de maio de 1957 e em 2008 alcançou a marca de mais de 50 milhões
de camisas vendidas tornando-se uma referência em moda masculina contemporânea.
A empresa desenvolve várias ações
de responsabilidade social com destaque para o projeto de geração de renda onde
instituições recebem kits de retalhos e criam vários produtos, como por
exemplo, sacolas ecológicas. A empresa também é associada ao Instituto Ethos
que propaga o conceito de responsabilidade social empresarial incorporando-o ao
dia-a-dia da gestão.
Em relação às estratégias de
marketing foi possível observar a importância que a empresa dá para a utilização das mídias
sociais, principalmente Facebook e blogs específicos. As estratégias de
marketing da organização são criativas e tem apresentando um excelente
resultado.
Em relação a exportação
observou-se que a organização está iniciando uma aproximação com o mercado
europeu através da abertura de uma loja em Milão, berço da moda internacional.
O objetivo é reforçar a imagem da marca na Europa e depois disso exportar
também para os Estados Unidos. Atualmente a exportação é focada para alguns
países do Mercosul com destaque para o Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia. O
projeto também visa aprofundar as relações comerciais com estes países
aumentando o volume de exportação.
Em relação à logística,
observou-se que a empresa trabalha com um conceito interessante relacionado ao
fluxo produtivo. Trata-se do Estoque de Giro, ou seja, “só produz o que está
vendido”.
A visita técnica foi importante
para reforçar conceitos de marketing e economia discutidos em sala de aula. Nos
próximos meses os alunos poderão aprofundar as discussões que certamente devem
ocorrer na disciplina de Economia e Mercado.
Um agradecimento especial a toda
a equipe da Dudalina pelas excelentes palestras proferidas durante a visita
técnica.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
A relação entre Política e Desenvolvimento
Política e desenvolvimento
A importante relação entre política e desenvolvimento no excelente artigo de Samuel Pinheiro Guimarães, publicado na Carta Maior.
Samuel Pinheiro Guimarães
1. O desenvolvimento é um processo caracterizado pela
utilização, cada vez mais ampla e intensa, dos recursos naturais, da força de
trabalho e do capital de uma sociedade para torná-la cada vez, mais próspera,
mais igual, mais justa e mais democrática.
2. O desenvolvimento depende de uma crescente capacidade de aplicação de tecnologias de produção aos recursos naturais, desde sua extração até seu processamento e transformação física e química, em diferentes etapas sucessivas, nos mais distintos setores.
3. Na economia moderna, tudo depende da aplicação do conhecimento. Este não existe flutuando no ar, mas se encontra incorporado a máquinas, as quais funcionam acopladas à mão de obra, desde engenheiros altamente qualificados até operários, dos mais aos menos qualificados.
4. Os setores que são diferentes da indústria, tais como a mineração, a agricultura e os serviços, dependem de máquinas e equipamentos produzidos pela indústria para funcionar de forma eficiente. Todos os equipamentos utilizados pelas mais diferentes unidades econômicas em qualquer setor da economia são produzidos pela indústria.
5. É um equívoco a idéia de que o Brasil pode se desenvolver com base na agricultura, ou na mineração ou nos serviços e que, a partir da exportação de seus produtos, pode importar os bens industriais para seu consumo, sem que haja a necessidade de desenvolvimento industrial intenso e sofisticado.
6. A organização da produção é feita pelas empresas privadas, estatais ou mistas. Não há produção moderna espontânea; a produção, isto é, a combinação dos fatores de produção (insumos, trabalho, capital) tem de ser sempre organizada por empresas, e esta organização depende, em geral, do sistema de crédito.
7. O desenvolvimento decorre da acumulação de capital a qual se verifica pelo reinvestimento dos lucros e pela mobilização do crédito para a expansão e a modernização das atividades das empresas produtivas, em qualquer setor.
8. A atividade empresarial ocorre em um quadro jurídico definido pelo Estado, isto é, pela legislação e pelas políticas e programas tributários, creditícios, monetários, cambiais. A orientação estratégica dessa legislação e dessas políticas decorre da visão que os setores da classe hegemônica que compõe o Governo e controlam o Estado em dado momento tem da natureza e da situação da economia do país, da capacidade do seu povo e das características do sistema e da situação internacional.
9. Esta legislação define, de um lado, os critérios de participação das megaempresas multinacionais e do capital nacional quer na agricultura, quer na indústria, quer no transporte, quer no comércio, e os mecanismos de inserção do país na economia e na política internacional. De outro lado, a legislação define o sistema de distribuição dos resultados da produção entre capitalistas, empresários e a mão de obra, qualificada ou não.
10. O desenvolvimento industrial, e seus parâmetros jurídicos, não é apenas um processo doméstico de luta ideológica e política, de que participa intensamente a mídia, entre os setores da sociedade para fazer adotar certas legislação e políticas. Este processo é também afetado pelos interesses de terceiros países, em especial das Grandes Potências.
11. As Grandes Potências não se opõem ao desenvolvimento econômico, político e militar dos países subdesenvolvidos desde que esse desenvolvimento e as políticas utilizadas para promovê-lo não contrariem os seus interesses.
12. Se um país subdesenvolvido procura promover o seu desenvolvimento, o processo de acumulação doméstica de capital, privilegiando as empresas de capital nacional, privadas ou não, através de políticas de proteção e de estímulo sofre ele a firme oposição daqueles mesmos Estados que, no passado, usaram o mesmo tipo de políticas para se desenvolver.
13. Os países altamente desenvolvidos procuram energicamente manter sua liderança econômica e política. Para isto, é necessário manter a vantagem competitiva de suas megaempresas, a qual é adquirida e preservada por intenso esforço de pesquisa tecnológica e pelo acesso a mercados e a recursos naturais em qualquer local no mundo. Ao mesmo tempo, protegem seus setores primários e industriais menos competitivos e subsidiam o desenvolvimento de suas indústrias nas áreas tecnológicas mais avançadas e as protegem de tentativas de aquisição por estrangeiros. Procuram dificultar a difusão da tecnologia industrial mais avançada através de sistemas de proteção de patentes e de acordos específicos, tais como os acordos de não proliferação horizontal; procuram impor tratados bilaterais e multilaterais de abertura comercial e financeira, e finalmente, procuram assegurar que a legislação interna dos países garanta a legalidade e o privilégio da presença de suas megaempresas em seus mercados.
14. Até a eclosão da crise em 2007, argumentavam os países desenvolvidos que a organização mais eficiente da economia mundial decorreria da mais ampla implantação do livre comércio, isto é, da eliminação de barreiras, comerciais e financeiras e de políticas domésticas de estímulo à industrialização.
15. Apesar desse seu discurso tradicional, os países altamente desenvolvidos, em decorrência da crise, estão lançando mão de todo tipo de política para recuperar a sua atividade econômica, reduzir o desemprego, aumentar as exportações e conter as importações, sem maior consideração pelos acordos internacionais cuja negociação eles mesmos articularam e impulsionaram, tais como os que resultaram da Rodada Uruguai, que levou à criação da Organização Mundial do Comércio.
16. Um governo qualquer, integrado por representantes de diferentes setores da classe hegemônica, pode ver o sistema econômico e político internacional como altamente competitivo e cooperativo, onde há livre acesso aos mercados e às tecnologias modernas de produção, em que os Estados não agem em defesa de suas empresas. Ou pode vê-lo como um sistema oligopolizado por megaempresas multinacionais, pouco cooperativo e onde o acesso às tecnologias mais modernas é extremamente restrito e onde os Estados, em especial os grandes Estados, defendem e impulsionam os interesses de suas empresas. Pode essa classe hegemônica ver a sociedade e a economia brasileira como fracas políticas e economicamente e incapazes de gerar a tecnologia e o capital necessários aos investimentos ou, ao contrário, podem vê-las como dotadas de amplo potencial para esta tarefa. Há nuances entre estas duas visões extremas, mas elas refletem a essência da questão ideológica, estratégica e finalmente política do desenvolvimento.
17. A classe hegemônica, ao imaginar o povo de seu país como incapaz, as Grandes Potências como cooperativas e o Estado como inimigo da liberdade, pode concluir que a atividade econômica deve ser regida exclusivamente pelas forças de mercado onde todos os interesses nacionais e externos seriam equilibrados, compatíveis e convergentes, sem interferência do Estado que apenas distorceria a competição, a correta alocação de recursos e a redistribuição, sempre “prematura”, da renda.
18. Caso a classe hegemônica que controla o Estado tenha consciência de que há enorme diferença de dimensão entre as empresas nacionais e estrangeiras, que há restrições à aquisição de tecnologia, que os interesses são divergentes e antagônicos, que as megaempresas têm estratégias globais de investimento, comércio e pesquisa não necessariamente compatíveis com os interesses do desenvolvimento nacional, que o mercado representa os interesses financeiros de curto prazo, pode concluir que é necessário lançar mão do Estado e da legislação para desenvolver certos setores industriais mais complexos e que requerem mais capital, estimular e proteger o capital nacional, organizar a participação do capital multinacional, ampliar o mercado interno e promover com energia a geração e a transferência de tecnologia.
19. Neste processo ideológico e político, em que os meios de comunicação tendem a se alinhar com os interesses externos, multinacionais e globalizantes, e com uma visão neoliberal da economia, da sociedade e do Estado, a articulação e a pressão das organizações sindicais, dos movimentos sociais e populares é essencial para fazer prevalecer o interesse geral de longo prazo da sociedade e levar a classe hegemônica que controla o Estado a adotar as políticas adequadas.
20. Há na crise um desafio e uma oportunidade para um Estado como o Brasil, semi-industrializado, com razoável e crescente mercado interno, porém com um parque industrial não integrado, cada vez mais vulnerável e desnacionalizado, mas com um setor financeiro sólido, não contaminado pelos ativos tóxicos gerados pela mega especulação dos grandes centros financeiros. Para aproveitar esta oportunidade é necessário acelerar o seu processo de acumulação de capital, de integração da estrutura industrial, de formação do mercado interno pela construção da infraestrutura de energia e transporte e através de programas de redistribuição de renda, de promoção da transferência de tecnologia e de diversificação das exportações e importações. De outro lado, há o desafio de resistir às políticas dos países desenvolvidos que, diante da crise e da emergência da China, procuram abrir mercados a qualquer preço, através de subsídios e da manipulação cambial, e protegem seus mercados internos e suas empresas em uma estratégia que já está afetando o dínamo do processo de desenvolvimento e de acumulação de capital, que é a estrutura industrial brasileira, por processos de desindustrialização e desnacionalização.
21. As políticas e os programas que vem sendo executados pela Presidenta Dilma e que são, em verdade, a resultante de um permanente confronto entre os diversos setores, de progressistas a conservadores, da classe hegemônica, representados no Executivo e no Legislativo, apontam, em sua maioria, na direção estratégica correta. Todavia, não são ainda suficientes para enfrentar o crescente desafio da crise internacional no que ela tem de mais regressivo e para aproveitar a oportunidade excepcional que ela oferece ao Brasil.
2. O desenvolvimento depende de uma crescente capacidade de aplicação de tecnologias de produção aos recursos naturais, desde sua extração até seu processamento e transformação física e química, em diferentes etapas sucessivas, nos mais distintos setores.
3. Na economia moderna, tudo depende da aplicação do conhecimento. Este não existe flutuando no ar, mas se encontra incorporado a máquinas, as quais funcionam acopladas à mão de obra, desde engenheiros altamente qualificados até operários, dos mais aos menos qualificados.
4. Os setores que são diferentes da indústria, tais como a mineração, a agricultura e os serviços, dependem de máquinas e equipamentos produzidos pela indústria para funcionar de forma eficiente. Todos os equipamentos utilizados pelas mais diferentes unidades econômicas em qualquer setor da economia são produzidos pela indústria.
5. É um equívoco a idéia de que o Brasil pode se desenvolver com base na agricultura, ou na mineração ou nos serviços e que, a partir da exportação de seus produtos, pode importar os bens industriais para seu consumo, sem que haja a necessidade de desenvolvimento industrial intenso e sofisticado.
6. A organização da produção é feita pelas empresas privadas, estatais ou mistas. Não há produção moderna espontânea; a produção, isto é, a combinação dos fatores de produção (insumos, trabalho, capital) tem de ser sempre organizada por empresas, e esta organização depende, em geral, do sistema de crédito.
7. O desenvolvimento decorre da acumulação de capital a qual se verifica pelo reinvestimento dos lucros e pela mobilização do crédito para a expansão e a modernização das atividades das empresas produtivas, em qualquer setor.
8. A atividade empresarial ocorre em um quadro jurídico definido pelo Estado, isto é, pela legislação e pelas políticas e programas tributários, creditícios, monetários, cambiais. A orientação estratégica dessa legislação e dessas políticas decorre da visão que os setores da classe hegemônica que compõe o Governo e controlam o Estado em dado momento tem da natureza e da situação da economia do país, da capacidade do seu povo e das características do sistema e da situação internacional.
9. Esta legislação define, de um lado, os critérios de participação das megaempresas multinacionais e do capital nacional quer na agricultura, quer na indústria, quer no transporte, quer no comércio, e os mecanismos de inserção do país na economia e na política internacional. De outro lado, a legislação define o sistema de distribuição dos resultados da produção entre capitalistas, empresários e a mão de obra, qualificada ou não.
10. O desenvolvimento industrial, e seus parâmetros jurídicos, não é apenas um processo doméstico de luta ideológica e política, de que participa intensamente a mídia, entre os setores da sociedade para fazer adotar certas legislação e políticas. Este processo é também afetado pelos interesses de terceiros países, em especial das Grandes Potências.
11. As Grandes Potências não se opõem ao desenvolvimento econômico, político e militar dos países subdesenvolvidos desde que esse desenvolvimento e as políticas utilizadas para promovê-lo não contrariem os seus interesses.
12. Se um país subdesenvolvido procura promover o seu desenvolvimento, o processo de acumulação doméstica de capital, privilegiando as empresas de capital nacional, privadas ou não, através de políticas de proteção e de estímulo sofre ele a firme oposição daqueles mesmos Estados que, no passado, usaram o mesmo tipo de políticas para se desenvolver.
13. Os países altamente desenvolvidos procuram energicamente manter sua liderança econômica e política. Para isto, é necessário manter a vantagem competitiva de suas megaempresas, a qual é adquirida e preservada por intenso esforço de pesquisa tecnológica e pelo acesso a mercados e a recursos naturais em qualquer local no mundo. Ao mesmo tempo, protegem seus setores primários e industriais menos competitivos e subsidiam o desenvolvimento de suas indústrias nas áreas tecnológicas mais avançadas e as protegem de tentativas de aquisição por estrangeiros. Procuram dificultar a difusão da tecnologia industrial mais avançada através de sistemas de proteção de patentes e de acordos específicos, tais como os acordos de não proliferação horizontal; procuram impor tratados bilaterais e multilaterais de abertura comercial e financeira, e finalmente, procuram assegurar que a legislação interna dos países garanta a legalidade e o privilégio da presença de suas megaempresas em seus mercados.
14. Até a eclosão da crise em 2007, argumentavam os países desenvolvidos que a organização mais eficiente da economia mundial decorreria da mais ampla implantação do livre comércio, isto é, da eliminação de barreiras, comerciais e financeiras e de políticas domésticas de estímulo à industrialização.
15. Apesar desse seu discurso tradicional, os países altamente desenvolvidos, em decorrência da crise, estão lançando mão de todo tipo de política para recuperar a sua atividade econômica, reduzir o desemprego, aumentar as exportações e conter as importações, sem maior consideração pelos acordos internacionais cuja negociação eles mesmos articularam e impulsionaram, tais como os que resultaram da Rodada Uruguai, que levou à criação da Organização Mundial do Comércio.
16. Um governo qualquer, integrado por representantes de diferentes setores da classe hegemônica, pode ver o sistema econômico e político internacional como altamente competitivo e cooperativo, onde há livre acesso aos mercados e às tecnologias modernas de produção, em que os Estados não agem em defesa de suas empresas. Ou pode vê-lo como um sistema oligopolizado por megaempresas multinacionais, pouco cooperativo e onde o acesso às tecnologias mais modernas é extremamente restrito e onde os Estados, em especial os grandes Estados, defendem e impulsionam os interesses de suas empresas. Pode essa classe hegemônica ver a sociedade e a economia brasileira como fracas políticas e economicamente e incapazes de gerar a tecnologia e o capital necessários aos investimentos ou, ao contrário, podem vê-las como dotadas de amplo potencial para esta tarefa. Há nuances entre estas duas visões extremas, mas elas refletem a essência da questão ideológica, estratégica e finalmente política do desenvolvimento.
17. A classe hegemônica, ao imaginar o povo de seu país como incapaz, as Grandes Potências como cooperativas e o Estado como inimigo da liberdade, pode concluir que a atividade econômica deve ser regida exclusivamente pelas forças de mercado onde todos os interesses nacionais e externos seriam equilibrados, compatíveis e convergentes, sem interferência do Estado que apenas distorceria a competição, a correta alocação de recursos e a redistribuição, sempre “prematura”, da renda.
18. Caso a classe hegemônica que controla o Estado tenha consciência de que há enorme diferença de dimensão entre as empresas nacionais e estrangeiras, que há restrições à aquisição de tecnologia, que os interesses são divergentes e antagônicos, que as megaempresas têm estratégias globais de investimento, comércio e pesquisa não necessariamente compatíveis com os interesses do desenvolvimento nacional, que o mercado representa os interesses financeiros de curto prazo, pode concluir que é necessário lançar mão do Estado e da legislação para desenvolver certos setores industriais mais complexos e que requerem mais capital, estimular e proteger o capital nacional, organizar a participação do capital multinacional, ampliar o mercado interno e promover com energia a geração e a transferência de tecnologia.
19. Neste processo ideológico e político, em que os meios de comunicação tendem a se alinhar com os interesses externos, multinacionais e globalizantes, e com uma visão neoliberal da economia, da sociedade e do Estado, a articulação e a pressão das organizações sindicais, dos movimentos sociais e populares é essencial para fazer prevalecer o interesse geral de longo prazo da sociedade e levar a classe hegemônica que controla o Estado a adotar as políticas adequadas.
20. Há na crise um desafio e uma oportunidade para um Estado como o Brasil, semi-industrializado, com razoável e crescente mercado interno, porém com um parque industrial não integrado, cada vez mais vulnerável e desnacionalizado, mas com um setor financeiro sólido, não contaminado pelos ativos tóxicos gerados pela mega especulação dos grandes centros financeiros. Para aproveitar esta oportunidade é necessário acelerar o seu processo de acumulação de capital, de integração da estrutura industrial, de formação do mercado interno pela construção da infraestrutura de energia e transporte e através de programas de redistribuição de renda, de promoção da transferência de tecnologia e de diversificação das exportações e importações. De outro lado, há o desafio de resistir às políticas dos países desenvolvidos que, diante da crise e da emergência da China, procuram abrir mercados a qualquer preço, através de subsídios e da manipulação cambial, e protegem seus mercados internos e suas empresas em uma estratégia que já está afetando o dínamo do processo de desenvolvimento e de acumulação de capital, que é a estrutura industrial brasileira, por processos de desindustrialização e desnacionalização.
21. As políticas e os programas que vem sendo executados pela Presidenta Dilma e que são, em verdade, a resultante de um permanente confronto entre os diversos setores, de progressistas a conservadores, da classe hegemônica, representados no Executivo e no Legislativo, apontam, em sua maioria, na direção estratégica correta. Todavia, não são ainda suficientes para enfrentar o crescente desafio da crise internacional no que ela tem de mais regressivo e para aproveitar a oportunidade excepcional que ela oferece ao Brasil.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
ENTENDA PORQUE O MÉXICO PODE SER O NOVO BRASIL NA ECONOMIA MUNDIAL
“O México, aparentemente, é o novo Brasil”, afirma o jornalista Jonathan Wheatley em artigo no Financial Times.
Ex-correspondente em São Paulo , ele vê uma troca de papéis entre as duas maiores economias da América Latina. Se na década de 2000 o Brasil se tornou queridinho dos investidores, agora é o México que aparece com boas perspectivas.
As bolsas de valores já estão refletindo isso, observa Wheatley. Enquanto a brasileira está em queda de 3,83% em 12 meses, a mexicana acumula alta de 14% no mesmo período. O autor nota que o Ibovespa está no mesmo nível de 2009 – “e não era isso que os investidores esperavam quando voltaram ao País naquele ano”.
Na opinião do jornalista, “a famosa economia de voo de galinha do Brasil está voltando ao normal”. Depois de cresceu 7,5% em 2010, o PIB (produto interno bruto) brasileiro subiu apenas 2,7% no ano seguinte a deve aumentar menos de 2% em 2012.
Whatley explica por que os países estão trocando os papéis. O Brasil atraiu investidores porque se beneficiaria de um imenso mercado interno em expansão – impulsionado pelo crédito – e pela capacidade de fornecer matérias-primas para economias em expansão como a China.
Já o México não chamava muita atenção de investidores porque sua economia dependia muito de exportar para os Estados Unidos. Suas empresas nos últimos anos tiveram que enfrentar a dura concorrência chinesa – que aumentou sua presença nos EUA – e ainda, com a crise, viram seus principais clientes – os consumidores americanos – perderem poder de compra.
Inversão
“Como as coisas mudam”, disse Wheatley. A China está se desacelerando e perdendo ao apetite pelas matérias-primas, e o promissor mercado interno brasileiro tende a crescer menos enquanto os consumidores estiverem endividados. Ainda, o custo de produção na China subiu – beneficiando exportadores mexicanos – e a renda dos americanos aumentou.
No entanto, Wheatley faz uma ressalva. Nota que, na bolsa brasileira, o preço das ações atualmente varia em torno de 9 vezes o valor do lucro de um ano projetado por papel. No México, essa proporção é de 15 para 1. “Não se surpreenda se essas razões passarem a convergir”, afirma o articulista. Se isso ocorrer mesmo, será uma boa notícia para quem tem ações no Brasil – ou má para quem investe no México.
Fonte: Estadão
sexta-feira, 15 de junho de 2012
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