sábado, 30 de julho de 2011

SORTEIO DOS GRUPOS DAS ELIMINATÓRIAS DA COPA 2014

Acabou nesse instante o sorteio dos grupos para as eliminatórias da Copa 2014. Evento básico, simples e até chato em alguns momentos. O que mais me chamou a atenção não foram os grupos e sim o custo do evento. Foram 30 milhões de reais para um evento de menos de 4 horas. Só para efeito de comparação o último evento, ocorrido na África do Sul, custou aproximadamente 2 milhões de reais.
A gente já sabe o que vem por ai com a turma do Ricardo Teixeira .....

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ótimo exemplo que vem de Indaial

Os eleitores do município de Indaial estão dando um exemplo de cidadania. Criaram um abaixo-assinado na internet contra o aumento nas vagas de vereadores no município. O projeto que será votado na Câmara no próximo dia 02 de agosto prevê o aumento de 10 para 15 vagas. Certamente a classe política é a favor.
Para quem quizer aderir a campanha o link é:
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N12710

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Mercado vê dólar a R$ 1,50 até setembro


A valorização do real dificilmente arrefecerá no curto prazo: a taxa de câmbio caminhará para o nível de R$ 1,50 por dólar até setembro. É o que esperam analistas internacionais, que citam os fundamentos da economia brasileira, em particular a taxa de juros bem mais alta do que as outras economias mundiais, para que o País continue recebendo um grande fluxo de capital estrangeiro.
"O governo pode até tentar reduzir o ritmo de apreciação, mas não conseguirá reverter a tendência de um real mais forte", disse à Agência Estado Win Thin, diretor de pesquisa para mercados emergentes da Brown Brothers Harriman em Nova York. Segundo ele, os números da conta corrente divulgados hoje ainda mostram que o Brasil está atraindo grande quantia de investimento direto e de portfólio (em ações de empresas negociadas em bolsa e títulos de renda fixa) por parte dos estrangeiros. Thin previu que o câmbio atingirá a marca psicológica de R$ 1,50 por dólar entre agosto e setembro.
À medida que o câmbio se aproxime do barreira de R$ 1,50, o estrategista da Brown Brothers Harriman acredita que o governo ficará mais nervoso e provavelmente adotará algumas medidas adicionais de controle cambial para conter a apreciação do real. "Haverá mais nervosismo e mais resistência à aproximação da marca de R$ 1,50", disse Thin. Para ele, o real está 7% sobrevalorizado com base no cálculo da paridade do poder de compra (PPP, na sigla em inglês) utilizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Na opinião do vice-presidente para mercados emergentes da MF Global, Michael Roche, baseado em Nova York, os juros elevados no Brasil tornam o País um destino mais atraente para o dinheiro dos investidores estrangeiros em busca de maior taxa de retorno. "Comparado com outros países emergentes, como a Índia, cuja inflação está em torno de 9,44% e a taxa básica de juros foi elevada hoje para 8%, ou seja, juros negativos, o Brasil oferece uma relação de retorno e risco muito favorável", disse Roche. Com a taxa Selic a 12,50% e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a 6,71%, no acumulado de 12 meses até junho, os juros reais no Brasil tornam-se praticamente "imbatíveis", ao redor de 5,79%, afirmou o estrategista.
"Não há outro país, na visão dos investidores, que apresenta uma história tão positiva em termos de fundamentos econômicos como o Brasil, assim os investidores deverão continuar buscando os ativos brasileiros", afirmou Roche. Ele previu que o câmbio atingirá o patamar de R$ 1,50 até o final de setembro. "Estou confiante que o câmbio vai se fortalecer ainda mais, ultrapassando a barreira de R$ 1,50 por dólar."
Para Paul Biszko, estrategista sênior para mercados emergentes da RBC Capital Markets em Toronto, no Canadá, a percepção dos investidores estrangeiros de que a presidente Dilma Rousseff não está inclinada a adotar medidas cambiais agressivas até que o cenário internacional se acalme mais, deu o "sinal verde" para um aumento nas apostas no mercado financeiro de um real mais valorizado, o que ajuda a explicar os ganhos da moeda brasileira hoje.
"Se não houver nenhuma deterioração séria no cenário internacional, com uma piora na situação fiscal nos Estados Unidos ou mesmo um rebaixamento na classificação de risco americana, acredito que o real deverá atingir a marca de R$ 1,50 por dólar no curto prazo, algo como nas próximas duas semanas", disse Biszko. "Se investidores continuarem com apetite por ativos de maior risco, o viés é de um real se valorizando cada vez mais."
Fonte: O Estadão Online

terça-feira, 26 de julho de 2011

Brasil salta para 5º lugar em ranking de atração de investimento externo


De 2009 para 2010, país subiu 10 posições, segundo relatório da Unctad.
País recebeu US$ 48,4 bi e atraiu 3,9% dos investimentos diretos no mundo


Brasil saltou da 15ª posição para a 5ª, de 2009 para 2010, no ranking dos países que mais receberam investimentos estrangeiros, segundo relatório da agência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), divulgado nesta terça-feira (26) pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).

De acordo com os dados do World Investment Report 2011, o Brasil recebeu em 2010 um total de US$ 48,4 bilhões em Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE), valor 86,7% maior do que os US$ 25,9 bilhões atraídos em 2009.

O Brasil só ficou atrás de Estados Unidos, China, Hong Kong e Bélgica no ranking dos destinos preferenciais dos fluxos globais de investimento externo no ano passado.
“É a melhor posição já obtida pelo Brasil, que registrou o maior crescimento anual entre os Brics e a quarta maior expansão no mundo em termos de valores absolutos”, afirma Luis Afonso Lima, presidente da Sobeet.
E o Brasil pode subir de posição nos próximos relatórios. Um levantamento feito pela Unctad junto a empresas multinacionais mostra que o Brasil aparece na 4ª posição entre os países mais citados como principal destino dos investimentos previstos até 2013, atrás apenas da China, Estados Unidos e Índia.

Segundo a Unctad, o fluxo de investimento direto no mundo cresceu 5% em 2010, subindo para US$ 1,244 trilhão na comparação com 2009. Apesar desta ter sido a primeira alta em três anos, o volume segue abaixo dos níveis pré-crise em 15% e é 37% menor do que o registrado em 2007 (US$ 1,971 trilhão). Para a Unctad, apenas no ano de 2013, os fluxos globais devem retornar aos patamares anteriores da crise.
“O investimento global é muito insosso ainda. É lento, gradual, arriscado e diferenciado, baseado em poucos setores da indústria e ligado a lucros reinvestidos, o que não é necessariamente capital novo", avalia o presidente da Sobeet.
Segundo o relatório, o cenário pouco otimista é influenciado pelo agravamento da crise de dívidas soberanas de países da Europa e dos Estados Unidos, bem como o agravamento do sobreaquecimento de economias em desenvolvimento, com impactos sobre a inflação destes países.
EUA lideram ranking

Os Estados Unidos continuaram a liderar, no ano passado, o ranking de atração de investimentos estrangeiros, segundo o relatório. O país recebeu em 2010 US$ 228,2 bilhões, volume 49,3% maior dos que os US$ 152,8 bilhões de 2009.
A China manteve-se em segundo lugar, com o valor total subindo de US$ 95 bilhões para US$ 105,7 bilhões, alta de 11%. Hong Kong, que estava em quarto lugar em 2009, com ingresso de US$ 52 bilhões, assumiu o terceiro lugar, com US$ 68,9 bilhões no ano passado. E a Bélgica, que estava na 17ª posição, com US$ 24 bilhões em 2009, ficou em quarto lugar, recebendo US$ 61,7 bilhões em 2010.

Entre os destaques negativos estão a Europa, com queda de 17,3% nos investimentos diretos recebidos, e Índia, com recuo de 28,8%.
O volume de investimentos estrangeiros diretos recebidos pelo Brasil no ano passado corresponde a 3,9% dos fluxos globais. Em 2009, o país recebeu uma fatia de 2,2% dos fluxos globais. Em 2006, o Brasil era destino de 1,3% do dinheiro externo.
Segundo a Sobeet, entre os fatores que têm contribuído para o país atrair um maior volume de investimento estão o crescimento do mercado interno, sobretudo com o avanço da classe C, e as obras e oportunidades relacionados à realização da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Países em desenvolvimento superam desenvolvidos pela 1ª vez
Pela primeira vez na história, os fluxos de investimentos estrangeiros para países em desenvolvimento superaram os recursos aplicados em economias desenvolvidas. Dos US$ 1,185 trilhão, 51,3% tiveram como destino economias em desenvolvimento e 48,4%, países desenvolvidos.
A participação da Europa caiu de 34%para 23,7%. Já a da América Latina subiu de 10,5% para 12,8%. A participação da Ásia e Oceania passou de 27,2% para 28,9%, e a da África caiu de 5,3% para 4,4%
"Esta é uma tendência firme e há sinais claros e contundentes de continuidade", afirma Lima. Do ranking dos 20 países que mais atraíram investimentos, metade são países em desenvolvimento.
O relatório mostra também que, em termos de origem, as saídas de investimento das economias em desenvolvimento já respondem por 29% dos fluxos globais. Em 2010, seis economias em desenvolvimento encontravam-se entre as top 20 investidoras. O Brasil, segundo a Unctad, respondeu no ano passado por 0,9% do total global.

“O Brasil teve um crescimento em relação a 2009, mas ainda está aquém de outras economias, como México e países asiáticos”, afirma Lima.

A Unctad prevê, que mantida a atual velocidade de desconcentração dos fluxos de investimento, em 2017 os países em desenvolvimento deverão ultrapassar as economias desenvolvidas.
O relatório mostra ainda o crescimento do uso por empresas transnacionais de operações não equitativas (‘non-equity modes’), atividades comerciais não-acionárias como fabricações por encomenda, serviços terceirizados contratos agrícolas, franchising e licenciamento. Segundo a Unctad, em 2010 essas operações geraram US$ 2 trilhões em vendas, empregaram de 14 a 16 milhões de trabalhadores em países em desenvolvimento e, em algumas indústrias, foram responsáveis por 70 a 80% das exportações mundiais.



Brasil deve ficar com fatia de 4,3% em 2011

O Banco Central divulgou nesta terça-feira que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira somaram no primeiro semestre o volume recorde de US$ 32,47 bilhões, com elevação de 168% frente ao mesmo período do ano passado (US$ 12,09 bilhões). Para 2011 fechado, a previsão do Banco Central é de uma entrada de US$ 55 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, o que, se confirmado, representará novo recorde histórico.
Já a Sobeet prevê que os investimentos estrangeiros irão chegar a US$ 65 bilhões em 2011, uma alta de 34%. Em todo o mundo, a Unctad estima que os fluxos globais totais devam ficar em torno de US$ 1,5 trilhão.
“A participação do Brasil deverá chegar a 4,3%, o que significa que irá praticamente dobrar em 2 anos”, afirma Lima.
A Sobeee faz um alerta sobre a tendência de redução da participação de setores industriais no total de ingressos de investimentos diretos no país. As indústrias petroquímica e de extrativismo mineral tem sido praticamente as únicas a receber aportes externos.
"O Brasil, cada vez mais, é visto como um pólo não de exportação, mas de consumo de bens e serviços", afirma Lima, destacando que gargalos como burocracia, infraestrutura precária e alta carga tributária permanecem como entraves para um maior fluxo de investimentos externos.
Fonte: G1
INVESTIMENTO ESTRANGEIRO DIRETO (em US$ bilhões)
Ranking
em 2010
País
2009
2010
1º
EUA
153
228
2º
China
95
106
3º
Hong Kong, China
52
69
4º
Bélgica
24
62
5º
Brasil
26
48
6º
Alemanha
38
46
7º
Reino Unido
71
46
8º
Rússia
36
41
9º
Cingapura
15
39
10º
França
34
34
11º
Austrália
26
32
12º
Arábia Saudita
32
28
13º
Irlanda
26
26
14º
Índia
36
25
15º
Espanha
9
25
16º
Canadá
21
23
17º
Luxemburgo
30
20
18º
México
15
19
19º
Chile
13
15
20º
Indonésia
5
13
Fonte: Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad)


segunda-feira, 25 de julho de 2011

FURB Federal Avança

Compartilho texto publicado na edição da últiam quinta feira do DC e Santa. Sempre defendi a federalização da FURB e tenho convicção em afirmar que os dois principais gargalos no Médio Vale do Itajaí são a duplicação da BR 470 e a federalziação da FURB. Já  passou muito da hora do Médio Vale do Itajaí ter a sua universidade federal.
Abaixo, texto na integra:

A Federal do Vale

Coluna publicada na edição desta quinta-feira do DC e do Santa:
Segundo maior agrupamento populacional de Santa Catarina com cerca de 1,3 milhões de habitantes, o Vale do Itajaí reúne condições para abrigar uma universidade federal. O que sempre foi uma óbvia constatação parece agora ter respaldo em Brasília. O embrião da futura Universidade Federal do Vale do Itajaí (UFVI) seria mesmo a federalização da Fundação Universidade de Blumenau (Furb).
A reivindicação é antiga, mas finalmente amadureceu no governo federal e no Congresso. Ontem, a ministra Ideli Salvatti (PT), das Relações Institucionais, recebeu o comitê pró-federalização da Furb. O que foi discutido deixou entusiasmados o reitor João Natel Machado e o coordenador do comitê Clóvis Reis.
Mais do que discursos bonitos, foram estipuladas metas. O grupo ficou com a missão de apresentar um projeto que apresente ao Ministério da Educação o modelo jurídico da incorporação da estrutura, dos alunos e dos funcionários. Segundo Clóvis Reis, o material deve ser entregue ao ministro Fernando Haddad em 70 dias. Ideli pretende conseguir liberar duas emendas no valor de R$ 100 mil vão ajudar a viabilizar a elaboração do projeto técnico. Os autores são o deputado federal Décio Lima (PT), que participou da reunião, e o ex-deputado Claudio Vignatti (PT).
O próprio ministro Haddad teria reconhecido a Ideli que existe uma dívida com a região, deixada de lado na expansão do ensino superior. Além da criação da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) em Chapecó, unidades da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foram instaladas em Joinville e em Araranguá, .
A vontade política do governo parece ter contagiado o Congresso. O projeto de lei que cria a UFVI foi apresentado no longínquo 2005, pelo então senador Leonel Pavan (PSDB). A proposta foi aprovada apenas no ano passado, quando o tucano encerrava seu mandato de governador. Em análise agora na Câmara, finalmente ganhou agilidade. No início do mês, foi aprovado pela Comissão de Serviço Público, onde o relator Edinho Bez (PMDB-SC) incluiu uma emenda permitindo que a futura universidade seja implantada com a estrutura da Furb. O peemedebista alerta que o projeto pode ser considerado inconstitucional pelo entendimento de que deveria ter sido apresentado pelo governo federal, mas alegou que isso é assunto da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
É lá que outro catarinense está a postos. Décio Lima promete chamar para si a relatoria do projeto e convencer os demais parlamentares que integram a comissão a aprová-lo, argumentando o apoio do governo. Uma boa notícia é que a decisão da CCJ é final, não precisa ser aprovada em plenário. Décio Lima espera que essa votação seja realizada ainda em agosto.
Entrave
Com o plano de incorporação elaborado pelo comitê e o projeto aprovado pelo Congresso, o MEC estaria autorizado a tirar do papel a UFVI. Em vez de começar do zero como a UFFS, a nova federal partiria de 15 mil alunos, 40 cursos de graduação e 10 de pós-graduação. Tudo isso com um orçamento anual correspondente a 10% do que o governo federal gasta para manter a UFSC.
O maior entrave burocrático é a incorporação dos profissionais. Legalmente, eles não podem simplesmente virar servidores públicos federais. É aí que entra a vantagem da Furb em relação às demais universidades que integram o sistema Acafe: é a única que se manteve como autarquia da prefeitura. Dessa forma, professores e funcionários poderiam ser cedido ao governo federal.
A presença de lideranças petistas e sua força no governo federal é emblemática nesse momento, mas as digitais de políticos de outros partidos, como Bez e até de Pavan, não podem ser ocultadas. O que deixa claro que algumas causas não têm legenda. Geralmente as melhores causas.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

ENTENDA O IMPASSE EM TORNO DA DÍVIDA AMERICADA



Há meses a Casa Branca e o Congresso estão envolvidos em negociações para chegar a um acordo que permita elevar o teto da dívida pública dos EUA e, assim, evitar o risco de calote.
Nas últimas semanas, o presidente Barack Obama e líderes dos dois partidos --Democrata e Republicano-- vêm se reunindo quase diariamente, mas ainda não conseguiram solucionar o impasse.
O governo diz que, caso não haja acordo até 2 de agosto, os Estados Unidos terão de, pela primeira vez, deixar de cumprir seus compromissos financeiros. Analistas, no entanto, apostam em uma solução antes disso.
Veja detalhes sobre os principais pontos da discussão:

Qual o motivo da negociação?

O governo americano precisa que o Congresso autorize uma elevação do teto de endividamento público para poder continuar cumprindo seus compromissos financeiros.
Os Estados Unidos atingiram seu limite legal de endividamento público --de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,3 trilhões)-- no último dia 16 de maio.
Na ocasião, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, anunciou medidas temporárias, como a suspensão de investimentos em fundos de pensão públicos, para evitar que a dívida ultrapasse esse limite.
No entanto, segundo o governo, essas medidas temporárias só conseguirão ter efeito até 2 de agosto. A partir dessa data, caso o teto não seja elevado, o governo não terá mais dinheiro e precisará parar de pagar algumas obrigações financeiras.

Esta é a primeira vez que Casa Branca e Congresso precisam negociar uma elevação do teto da dívida?

Não. A renegociação do teto da dívida é comum no país e é realizada periodicamente.
Ao contrário de outros países, onde o endividamento aumenta automaticamente à medida que os gastos superam a arrecadação, a legislação americana estabelece desde 1917 um limite legal de endividamento público.
Na época, o teto era de US$ 11,5 bilhões, mas englobava diferentes categorias de empréstimo com diferentes limites. O teto da dívida no formato atual foi estabelecido em 1939 e, desde então foi elevado cerca de cem vezes.
Na última década, o Congresso já elevou o teto da dívida dez vezes. É comum haver impasse nessas negociações, opondo democratas e republicanos.

Qual o principal impasse na negociação atual?

A oposição republicana, que controla a Câmara dos Representantes (deputados federais), exige que um acordo para elevar o teto da dívida seja vinculado a cortes no orçamento americano, para reduzir o deficit recorde, calculado em cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 2,3 trilhões) para o ano fiscal que termina em setembro.
Apesar de representantes de ambos os partidos concordarem com a necessidade de reduzir gastos, há muitas divergências sobre o que cortar e que programas atingir.
Os republicanos se recusam a aceitar qualquer proposta que inclua aumento de impostos. Obama, no entanto, insiste na necessidade de acabar com cortes de impostos que beneficiam a camada mais rica da população, criados ainda no governo de George W. Bush.
Os democratas, por outro lado, relutam em tocar em programas sociais que os republicanos querem enxugar.

Quais as principais propostas em discussão?

Diversas propostas já foram discutidas sem sinal de acordo. Na última semana, dois projetos ganharam maior atenção.
Em 19 de julho, a Câmara dos Representantes aprovou uma proposta chamada de "Cut, Cap and Balance" (algo como "cortar, limitar e equilibrar", em tradução livre) que, entre outros pontos, inclui cortes imediatos em programas sociais do governo e limita gastos futuros a menos de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) americano.
A proposta também condiciona a elevação do teto da dívida em US$ 2,4 trilhões à aprovação de uma emenda constitucional que estabeleça novas regras de equilíbrio orçamentário.
Segundo analistas, essa proposta tem valor mais simbólico, já que dificilmente será aprovada pelo Senado, onde os democratas são maioria. Obama também já avisou que vetará o projeto caso chegue à sua mesa.
O presidente apóia outra proposta, articulada por um grupo de três senadores democratas e três republicanos (batizado de "Gangue dos Seis"), que prevê o corte de US$ 3,7 trilhões no Orçamento nos próximos dez anos por meio de um conjunto de medidas que inclui redução de gastos militares e cortes em alguns programas sociais, mas também aumento de arrecação.

Caso não haja acordo, que contas o governo deixaria de pagar?

Se o teto da dívida não for elevado e o governo ficar sem dinheiro e sem poder captar mais empréstimos, ele será obrigado a escolher que compromissos financeiros deixar de cumprir.
Analistas afirmam que o governo teria de cortar 44% dos gastos imediatamente, além de cortes subsequentes.
O calote pode afetar tanto credores externos quando despesas domésticas, como o pagamento de benefícios sociais, salários de militares e veteranos e servidores públicos e empréstimos estudantis.

Quem são os credores do governo americano?

Dos US$ 14,3 trilhões da dívida americana, um total de US$ 4,6 trilhões estão nas mãos do próprio governo, emprestados de fundos de Seguridade Social.
Os US$ 9,7 trilhões restantes são devidos a investidores em títulos do Tesouro, que podem ser tanto pessoas físicas quanto empresas, governos, bancos e fundos de pensão. Cerca da metade desse montante está em poder de credores estrangeiros.
Segundo dados divulgados pelo Departamento do Tesouro relativos a maio, o Brasil é o quinto maior credor estrangeiro da dívida americana, com US$ 211,4 bilhões (cerca de R$ 330 bilhões, ou quase dois terços das reservas internacionais) aplicados em títulos do governo.
O maior credor estrangeiro é a China, com US$ 1,16 trilhão, seguida por Japão, Grã-Bretanha e um grupo de países exportadores de petróleo.

Qual a real possibilidade de calote?

Apesar dos alertas feitos pelo governo americano de que terá de deixar de pagar suas contas caso o teto da dívida não seja elevado até 2 de agosto, a possibilidade de calote é considerada remota por diversos analistas.
Segundo eles, mesmo que o impasse se estenda até o início de agosto, a probabilidade é de que haja um acordo antes do prazo final ou, na pior das hipóteses, imediatamente após o prazo estourar.



Caso realmente haja calote, qual seria o impacto?
Obama vem advertindo há várias semanas para as consequências "significativas e imprevisíveis" que um calote teria para a economia americana e já disse que há o risco de o país mergulhar em nova recessão.
Em junho, em um relatório sobre os Estados Unidos, o FMI (Fundo Monetário Internacional) disse que a dívida estava em uma "trajetória insustentável" e que um fracasso nas negociações no Congresso causaria "choques severos" na recuperação ainda frágil da economia americana.
As principais agências de classificação de risco já alertaram para a possibilidade de rebaixamento da nota dada ao país. Atualmente os Estados Unidos têm rating "AAA", o mais alto, reservado a países que demonstram grande capacidade de cumprir seus compromissos financeiros.
Diante do impasse no Congresso, a Standard & Poor´s e a Moody´s colocaram a nota dos Estados Unidos em revisão, com risco de rebaixamento caso o teto da dívida não seja elevado.
A Fitch disse ainda apostar em acordo antes de 2 de agosto, mas ressaltou que, caso o teto da dívida não seja elevado até a data, colocará a classificação dos Estados Unidos em observação negativa.
Segundo analistas e o próprio governo americano, o impacto de um calote seria sentido além das fronteiras americanas e poderia provocar distúrbios nos mercados globais.
No entanto, muitos analistas afirmam que um eventual calote seria por um curto espaço de tempo, o que não provocaria grandes abalos na reputação dos Estados Unidos como um destino seguro para investimentos.

Qual seria o impacto no Brasil?

Como o Brasil é um grande credor da dívida americana, um eventual calote poderia ter consequências para o país.
Segundo o economista Gregory Daco, da consultoria IHS Global Insight, um dos efeitos seria que o Brasil teria de procurar outras alternativas para aplicar suas reservas internacionais.
Entre as opções estariam ativos considerados mais seguros, como ouro, ou mesmo papéis de outros países.
Entretanto, o momento atual de crise de dívida e de credibilidade em várias economias europeias dificulta a busca de alternativas aos títulos americanos.
Fonte: Folha Online e Corecon -SC

AFINAL O CRESCIMENTO DO CONSUMO E DO CRÉDITO É BOM OU RUIM PARA A ECONOMIA?

Consumo e crédito continuam crescendo sem parar no Brasil, mas isso não é necessariamente uma coisa a ser comemorada. A combinação de juros altos e inflação é uma verdadeira bomba para o bolso do consumidor, e os economistas já falam em superaquecimento brasileiro. Em um cenário como esse, há um jeito quase infalível de o trabalhador proteger o próprio dinheiro: poupando e evitando financiamentos longos.
Nesta quarta-feira (20), os juros do país subiram novamente, para 12,5% ao ano, para manter a política do Banco Central de controle da inflação. A nova taxa afeta diretamente os gastos do dia a dia, desde a compra do mês no supermercado até o financiamento do carro novo.
Um levantamento feito pela revista inglesa The Economist mostra que o Brasil é o país que tem “uma das maiores taxas de juros reais do mundo”, o que o coloca entre os emergentes que mais “correm o risco de superaquecer”.
Os juros reais descontam a inflação da taxa nominal da economia. Aqui, essa taxa é de “quase 6%”. A revista levou em conta a Selic na casa dos 12,5% e subtraiu dela o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 6,3% (com os dados da inflação de maio).
A lista dos “emergentes ferventes” tem 27 economias, analisadas a partir de seis aspectos: juros reais, inflação, emprego, crédito, balança comercial (a diferença entre o que o país importa e exporta) e o PIB (Produto Interno Bruto, isto é, a geração de riquezas). A Argentina é a economia mais perigosamente aquecida, com dados alarmantes nos seis componentes. O Brasil e outros cinco (Hong Kong, Índia, Indonésia, Turquia e Vietnã) vêm em seguida.
No caso brasileiro, cinco dos seis indicadores preocupam, sobretudo por causa dos dados contraditórios. A inflação só saiu do controle porque o governo vem incentivando o consumo desde o final de 2008, após o estouro da crise econômica, com juros menores e mais crédito na praça para os trabalhadores.
O economista Felipe Leroy, professor do Ibmec-MG, explica que o governo agora quer reverter os juros para deixar o crédito mais caro, mas o brasileiro tem salários cada vez maiores e quer continuar consumindo independentemente do financiamento ter ficado mais pesado ou não.
O que faz a renda subir é justamente a busca mais intensa das empresas por funcionários. Por causa disso, por exemplo, é que o desemprego está em seus menores níveis da história.
- A nossa inflação é de demanda. Há procura maior do que a oferta. O culpado por toda essa inflação é o próprio governo, que baixou a Selic [em 2009], ampliou crédito para a construção civil, o que pressionou os preços de imóveis, e cortou impostos para automóveis, entre outras medidas. Tudo foi feito para aquecer a economia [na época da crise], mas agora é hora de controlar.
E como falar em renda alta é falar em mais grana rodando no mercado, uma coisa leva a outra: com um dinheirinho extra o consumidor quer comprar, o comércio vende mais, a fábrica eleva a produção e tem que contratar mais para dar conta de abastecer o mercado, pagando salários maiores, que virarão mais consumo.

Demanda e oferta
Isso não parece nem de longe uma coisa ruim, mas a questão da demanda e da oferta ajuda a explicar outro componente preocupante – e contraditório – da economia do nosso país.
O dólar nunca esteve tão desvalorizado em relação ao real desde 1999. Com a moeda americana baratinha, praticamente todos os setores da economia acabam levando vantagem ao comprar produtos de fora: seja a fábrica que precisa de uma máquina, o comércio que vende televisores e computadores, o pequeno importador que repassa perfumes e o milionário que curte carrões.
As contas de negócios do Brasil com outros países tiveram resultado negativo em maio de 2011, de R$ 6,5 bilhões (US$ 4,1 bilhões). Isso significa que o país trouxe de fora muito mais coisa do que mandou para o estrangeiro. E quem sofre é a indústria daqui.
As fábricas são obrigadas a conviver com uma enxurrada de produtos da Ásia (leia-se China) e ainda manter a produção para atender o consumo interno. Impostos altos e burocracia são a principal crítica à falta de competitividade dos itens “made in Brazil”. Mas são os importados que seguram a inflação onde está. Sem eles, ela seria muito maior, analisa o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria.
- Isso fica claro no segmento de serviços, que não tem como aumentar a oferta via importações. Esse setor não se beneficia da valorização cambial. E o que vemos é que o sujeito que tem uma doméstica em casa, que vai ao cabeleireiro ou que depende de qualquer outro tipo de serviço está pagando cada vez mais caro por isso. Os serviços encareceram 8,7% [acima da inflação] nos últimos 12 meses.
E COMO NÓS FICAMOS NESSA CONFUSÃO TODA?
E nessa roda cheia de contradições está o brasileiro, que vê a economia crescer como “nunca antes na história do país”. O PIB do país avançou 7,5% em 2010 – o maior número já visto nos últimos 24 anos. Em 2011, deve crescer na casa dos 4%. Então vem a questão: é hora de gastar para aproveitar o bom momento ou de poupar para caso esse superaquecimento vire um esfriamento crônico?
Os economistas são unânimes em defender mais cautela ao consumidor. Campos Neto afirma que a questão não é parar de comprar de uma vez por todas, mas analisar bem cada gasto e aprender a ter controle sobre essas despesas.
- A onda é positiva, mas temos um programa de aperto monetário na economia. Não é o momento de um endividamento excessivo. O ideal é que as pessoas evitem compromissos acentuados.
Leroy diz que não é da cultura do brasileiro poupar o suficiente para comprar as coisas à vista, tampouco se preocupar com os juros dos financiamentos longos.
- O consumidor costumeiramente não poupa, mas ele tem que ficar atento com as compras e os prazos. Tem que poupar, mas em vez de aplicar só na poupança, é interessante buscar uma renda fixa.
Segundo uma pesquisa do Instituto Assaf, as aplicações em fundos de investimento em renda fixa tiveram os melhores rendimentos dos últimos 17 anos, já que a valorização no período foi de 2.481,81% desde a criação do Plano Real. Isso significa dizer que um investimento de R$ 1.000 feito em 1º de julho de 1994 virou um montante de R$ 24.818,10.
Nesse cenário de juros maiores e inflação em alta, então, vale mais investir o dinheiro do que sair por aí torrando tudo. Em junho, o número de famílias endividadas aumentou em SP, segundo uma pesquisa da Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). Quase metade de todos os consumidores da capital tem alguma conta para pagar, ou 1,683 milhão de famílias.

Três em cada dez famílias (29,4%) têm dívidas que deverão ser pagas em mais de um ano. Outros 23,2% têm o orçamento comprometido com o pagamento de dívidas por períodos entre três e seis meses. Só pouco mais de uma família a cada cinco (22,6%) pagarão as dívidas em período de três meses.
Fonte: Record e Corecon -SC